
Uma formação geológica no leste da Turquia voltou a chamar a atenção de pesquisadores interessados na possível localização da Arca de Noé. Conhecida como Formação Durupinar, a estrutura possui aproximadamente 157 metros de comprimento e apresenta um contorno semelhante ao de uma grande embarcação.
Em 2026, uma equipe liderada pelo professor de arqueologia Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet, iniciou uma nova etapa de investigação em parceria com a organização americana Noah’s Ark Scans. O projeto recebeu autorização das autoridades turcas e reúne especialistas de diferentes áreas para estudar a composição e a estrutura do local.
Desta vez, os pesquisadores não estão dependendo apenas de imagens e levantamentos do terreno. As atividades incluem radar de penetração no solo, mapeamento, coleta de amostras e perfurações que alcançaram profundidades de até aproximadamente 18 metros.
Os primeiros relatos da equipe mencionam camadas ricas em matéria orgânica, cavidades subterrâneas e um material extremamente duro encontrado durante uma das perfurações.
Mas o que esses resultados realmente significam? E por que os pesquisadores acreditam que a formação merece uma investigação mais aprofundada?
O que é a Formação Durupinar e como ela recebeu esse nome?
Localizada na província de Ağrı, no leste da Turquia, a Formação Durupinar fica a aproximadamente 30 quilômetros ao sul do cume do Monte Ararate.
Sua história moderna ganhou destaque em 1959, quando o capitão do Exército turco İlhan Durupinar identificou a estrutura em fotografias aéreas produzidas durante trabalhos de mapeamento. A formação recebeu seu nome em referência a ele.
O formato alongado, semelhante ao casco de um navio, despertou o interesse de pessoas que procuravam possíveis vestígios da Arca descrita no livro de Gênesis.
A localização também contribuiu para essa associação. Gênesis 8:4 afirma que a Arca repousou sobre os “montes de Ararate”, referência tradicionalmente relacionada à região.
Entretanto, a semelhança visual e a proximidade geográfica não comprovam que a formação seja uma embarcação antiga. Estudos anteriores propuseram uma explicação geológica natural para sua origem, e a hipótese de que Durupinar seja a Arca continua sem comprovação científica.
O que os pesquisadores encontraram nas novas perfurações?
Em comunicado divulgado em 23 de setembro de 2026, a Noah’s Ark Scans relatou que as perfurações haviam alcançado até 18 metros de profundidade.
Segundo Andrew Jones, fundador da organização e vice-presidente do projeto de pesquisa, a equipe encontrou três elementos que considera importantes:
- Camadas ricas em matéria orgânica: os pesquisadores acreditam que esse material poderia estar relacionado a restos degradados de uma estrutura antiga.
- Cavidades subterrâneas: foram relatados espaços contendo lama e água, que a equipe pretende investigar mais detalhadamente.
- Uma camada extremamente dura: em uma das perfurações, aproximadamente entre quatro e cinco metros de profundidade, a broca teria sido danificada ao atingir um material resistente.
Jones afirmou que esse último material poderia ser madeira petrificada ou altamente mineralizada. Entretanto, essa possibilidade ainda depende de análises laboratoriais independentes.
É importante destacar que essas informações foram divulgadas pela própria organização responsável pela investigação. A natureza dos materiais e das cavidades ainda precisa ser estabelecida por exames técnicos. Leia o comunicado da Noah’s Ark Scans.
O que o professor Cenker Atila e a Noah’s Ark Scans acreditam?
O projeto é liderado na Turquia pelo professor Cenker Atila, do Departamento de Arqueologia da Universidade Sivas Cumhuriyet, em colaboração com Andrew Jones e a Noah’s Ark Scans.
A equipe acredita que os resultados obtidos até agora justificam uma investigação mais aprofundada sobre a possibilidade de a Formação Durupinar preservar vestígios relacionados à Arca de Noé.
Jones defende pessoalmente essa hipótese. Em declarações divulgadas pela organização, ele afirmou acreditar que a formação seja a Arca e que as perfurações e análises laboratoriais podem ajudar a demonstrar o que existe no local.
O professor Atila, por sua vez, declarou que os resultados da campanha de 2026 aumentaram o interesse da equipe na possibilidade de encontrar evidências relacionadas à Arca. Ele ressaltou que as análises detalhadas do solo ainda precisam ser concluídas para que seja possível compreender melhor a natureza da formação.
Essa distinção é essencial: os pesquisadores estão relatando resultados preliminares e defendendo uma hipótese, mas ainda não demonstraram que encontraram a Arca de Noé.
Quais são os próximos passos da investigação?
As amostras coletadas durante a campanha de 2026 deverão passar por análises laboratoriais, incluindo estudos de composição, conteúdo orgânico, mineralogia e características das camadas geológicas.
A equipe também pretende aprofundar a investigação das cavidades identificadas pelos levantamentos geofísicos.
Segundo as informações divulgadas pela Universidade Sivas Cumhuriyet, os resultados da primeira temporada de campo deverão ser apresentados à comunidade científica em 2027, com a publicação de um relatório sobre as pesquisas realizadas.
Os próximos resultados serão importantes para verificar se os materiais encontrados podem ser explicados por processos naturais ou se apresentam características que justifiquem outras interpretações.
Conclusão: a Arca de Noé foi encontrada?
Ainda não. A Formação Durupinar continua sendo objeto de investigação, e os resultados divulgados até agora não comprovam que a estrutura seja a Arca de Noé.
O que torna a pesquisa atual relevante é a possibilidade de examinar materiais retirados diretamente do subsolo, em vez de depender apenas da aparência da formação ou de imagens de radar.
Se as análises revelarem evidências de uma construção humana antiga, será necessário investigar sua origem, idade e contexto antes de relacioná-la à Arca de Noé.
Por enquanto, a equipe acredita que existem razões para continuar investigando, mas as respostas dependerão dos resultados laboratoriais e da avaliação científica dos dados.
A pergunta permanece: a Formação Durupinar é uma estrutura geológica natural ou esconde vestígios de algo construído no passado?
As próximas etapas da pesquisa poderão ajudar a esclarecer esse mistério.
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